HIDROANEL
DE SÃO PAULO / PRÉ-VIABILIDADE![]()
ESTUDOS AMBIENTAIS
INFORMAÇÕES GERAIS: os estudos aqui apresentados foram contratados pelo DH - Departamento Hidroviário da Secretaria de Transportes de São Paulo e têm como objetivo caracterizar a situação ambiental da região onde será implantado e operado o Hidroanel da RMSP - Região Metropolitana de São Paulo; eles delineiam a situação atual de cada componente do meio ambiente, consolidando um patamar de referência imprescindível para a identificação e a avaliação dos efeitos que possam ocorrer durante as obras e ao longo da fase operacional do projeto. Duas características fundamentais do trabalho são: 1- os estudos resultam basicamente da coleta, análise e sistematização de dados já existentes no imenso acervo de projetos, levantamentos, pesquisas e teses acadêmicas com foco na RMSP; 2- as diversas questões e temas estão apresentados num aprofundamento compatível com o nível de pré-viabilidade.
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Trechos e Subsistemas do Hidroanel de São Paulo |
SUBSISTEMAS DO PROJETO HIDROVIÁRIO: o projeto conceitual do Hidroanel foi concebido em três subsistemas: 1- Carapicuíba, 2- Itaquaquecetuba e 3- Dique Anchieta, a seguir explicitados. Subsistema Carapicuíba - Rio Tietê, trecho entre as barragens Edgar de Souza e da Penha (Trecho 1a = 45 km): estirão navegável com extensão de 41 km, começando na barragem de Edgard de Souza, no município de Santana de Parnaíba, passando pela eclusa sob o Cebolão até atingir a barragem da Penha, no município de São Paulo; Rio Pinheiros, trecho entre a barragem do Cebolão e o reservatório Billings (Trecho 2 = 24 km): com mais 24 km de via navegável e alguns obstáculos a serem equacionados, como por exemplo, as transposições da estrutura do Retiro e da barragem de Traição; Subsistema Itaquaquecetuba - Rio Tietê, trecho entre a Barragem da Penha e a Nitroquímica (Trecho 1b = 13 km): com a finalização da construção da eclusa da barragem da Penha, cujas instalações encontram-se parcialmente implantadas e a execução de serviços de desassoreamento no reservatório, também será possível incorporar mais 13 km de hidrovia, estendendo a navegação até o município de São Miguel Paulista; Rio Tietê, trecho entre a Nitroquímica e o reservatório de Taiaçupeba, incluindo seu trecho navegável (Trecho 3 = 44 km): acrescenta 37 km de hidrovia após necessária retificação; corresponde às áreas meandradas, inundáveis e que apresentam ocupações habitacionais, muitas delas irregulares e situadas em zonas de risco; também será necessário melhorar o gabarito de navegação em aproximadamente 6 km do ribeirão Taiaçupeba, a jusante do seu reservatório, para permitir a navegabilidade nesse trecho; Subsistema Dique Anchieta - Área do futuro canal de ligação entre os reservatórios de Taiaçupeba e Billings, incluindo o trecho navegável deste último (Trecho 4 = 42 km): a construção de um canal artificial entre os dois reservatórios acrescentaria 28 km de hidrovia e representa condição imprescindível para o fechamento do circuito do Hidroanel com o aproveitamento de 30 km navegáveis no interior do reservatório Billings. Objetivando encurtar rotas de deslocamento da população circunvizinha e o centro de São Paulo, reduzindo assim o tempo de viagem e o tráfego no sistema viário já congestionado, a navegação nos reservatórios Billings e Guarapiranga possibilitará a concepção de novas e estratégicas travessias de passageiros do transporte público urbano, desde que tomadas as precauções para garantir a função de manancial. Para que a represa Billings seja incorporada ao Hidroanel será necessário construir uma estrutura para permitir a transposição do desnível existente na barragem de Pedreira no ponto de interligação com o canal do rio Pinheiros. Em síntese, a composição proposta para o projeto do Hidroanel é a seguinte:
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SUBSISTEMAS |
TRECHO |
COMPOSIÇÃO |
km |
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Carapicuíba |
1a |
Rio Tietê, trecho entre as barragens Edgar de Souza e da Penha |
45 |
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2 |
Rio Pinheiros, trecho entre a barragem do Cebolão e o reservatório Billings |
24 |
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Itaquaquecetuba |
1b |
Rio Tietê, trecho entre a barragem da Penha e a Nitroquímica |
13 |
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3 |
Rio Tietê, trecho entre a Nitroquímica e o reservatório de Taiaçupeba |
26 |
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Reservatório de Taiaçupeba ao canal da Partilha-Estiva |
18 |
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Dique/Anchieta |
4 |
Canal da Partilha-Estiva até a barragem de Pedreiras (reservatório Billings) |
42 |
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HIDROANEL |
168 |
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ATUAÇÃO:
pesquisar, sistematizar,
consolidar, integrar o elenco de informações e dados disponíveis sobre o meio
ambiente no contexto do estudo de pre-viabilidade do projeto do Hidroanel da
RMSP - Região Metropolitana de São Paulo.
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CARGO : Engenheiro Agrônomo/Diretor de Meio Ambiente da PETCON - Planejamento em Transporte e Consultoria Ltda.(Brasília - DF, 2005-2011) |
PERÍODO: 2010 a 2011
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Vista parcial de São Paulo encoberta por atmosfera com significativa concentração de gases poluentes. |
![]() Transbordamento do rio Tietê devido a chuva intensa na RMSP, complicando o trânsito principalmente nas vias marginais. |
![]() Aspecto do rio Tietê a jusante da barragem Edgar de Souza com formação de espumas e elevada concentração de gases tóxicos devido matéria orgânica em dissolução. |
![]() APA Capivari Monos no extremo sul do município de São Paulo, área de Proteção aos Mananciais. É parte da Reserva da Biosfera do Cinturão Verde da Cidade de São Paulo. |
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![]() Vista aérea do Parque da Aclimação, área verde tipicamente urbana. |
![]() Captação de água da represa Billings para Guarapiranga |
![]() Enchente na Zona Leste. A impermeabilização do solo e as ocupações irregulares são fatores agravantes nesses episódios. |
![]() Grande área favelizada no bairro do Morumbi constituindo a complexa malha urbana da cidade de São Paulo |
![]() Vista aérea do bairro do Areião, ocupação urbana no entorno da represa Billings, próximo ao rio Grande, área ainda bem preservada. |
![]() Aspecto da ocupação urbana na represa Billings, região de Cocaia. |
![]() Composição gravimétrica dos resíduos sólidos domiciliares do município de São Paulo, uma das cargas a serem transportadas através do Hidroanel. (Fonte: Ecourbis, São Paulo, 2010) |
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TRABALHOS
EXECUTADOS:
Síntese das características técnicas/operacionais do segmento considerado;
Diagnóstico ambiental sintético da região, contemplando os aspectos dos
ambientes físico, biótico e socioeconômico;
Fatores restritivos quanto ao uso do solo;
Legislação ambiental federal, estadual e municipal;
Identificação das principais interfaces empreendimento x meio ambiente;
Levantamento de índices operacionais de eficiência energética dos meios de
transporte;
Levantamento de Mecanismos de Desenvolvimento Limpo – MDL - que possibilitem
auferir créditos de carbono pelo uso do modal hidroviário;
Identificação dos programas ambientais implementados e/ou necessários;
Identificação, caracterização e quantificação do passivo ambiental.
OBSERVAÇÕES E
CURIOSIDADES:
Em
São Paulo, uma quantidade muito grande de veículos em circulação aumenta a
emissão de gases do efeito estufa (GEEs) e contribui para a formação das ilhas
de calor. Uma política eficiente de combate à degradação ambiental
inexoravelmente passa pela redução dessas emissões de gases tóxicos e,
justamente nesse aspecto, o projeto do Hidroanel oferece uma significativa
contribuição.
O projeto do Hidroanel possui feições estruturais e de funcionamento que
possivelmente afetarão em intensidade variável os fatores ambientais presentes
em sua área de influência.
No meio físico a
água é o fator que hoje apresenta os níveis de degradação mais preocupantes; no
mio biótico a vegetação natural das várzeas é o segmento mais atingido pela ação
humana e no meio antrópico o avanço das ocupações irregulares em áreas de risco
promove fortes pressões sobre os recursos naturais e intensificam o processo de
degradação de áreas importantes para a manutenção dos mananciais.
Os obstáculos
advindos do atual uso e ocupação do solo referem-se as estruturas que necessitam
adequações, áreas irregulares urbanizadas que precisam ser realocadas, e a
existência de vegetação natural que necessita ser removida para construir o
canal de ligação Billings-Taiaçupeba (Trecho 4), e para retificar o Tietê
viabilizando o Trecho 3 da hidrovia
O projeto do Hidroanel vai ao encontro das determinações das leis sobre mudanças
climáticas em nível federal, estadual e municipal, que têm uma determinação em
comum: priorizar meios de transporte mais eficientes e com as menores emissões
de GEE’s; as diretrizes legais no âmbito do licenciamento ambiental são
exigentes para empreendimentos que interferem com recursos hídricos, obrigando
identificar todas as possibilidades de impactos e propor medidas para prevenir,
mitigar ou maximizar tais efeitos.
O meio antrópico
apresenta o maior número de impactos positivos 8, em contraposição ao meio
físico que recebe o maior número de impactos negativos 13; necessário adotar
medidas frente as alterações indesejáveis (aumento poluição, deterioração
qualidade ar e água) devido ao fechamento da barragem Cebolão para manutenção
navegabilidade do Tietê, a jusante da Penha; existirá perda de vegetação natural
nas áreas da construção do canal ligação Billings - Taiaçupeba, e para
alargamento/retificação nas várzeas do Tietê; as populações que habitam as
várzeas do Tietê e áreas onde será construído canal ligação Billings -
Taiaçupeba, estarão sujeitas a ações de desapropriação e reassentamentos.
Foram propostos 13
programas ambientais (Comunicação Social, E. Ambiental, Treinamento e
Capacitação; Prevenção e Emergência; Desapropriação e Remoção; Proteção Fauna;
Proteção Flora, Proteção Solo, Controle e Monitoramento Qualidade Ar, Controle e
Monitoramento Qualidade Água; Apoio Prefeituras Municipais, Apoio
Desenvolvimento Regional e Recuperação Áreas Degradadas); 5 programas estão
voltados para maximização impactos positivos e 8 para a a prevenção e/ou
mitigação dos efeitos considerados indesejáveis.
Dois grandes passivos ambientais existentes na RMSP interferem diretamente com o
projeto do Hidroanel: os trechos urbanos poluídos dos rios Tietê e Pinheiros, e
as áreas de ocupações irregulares que aceleram a degradação das várzeas.
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