INVENTÁRIO DA BACIA DO RIO ITACAIÚNAS
ESTUDOS PEDOLÓGICOS

INFORMAÇÕES GERAIS: Um estudo de inventário hidrelétrico é a etapa em que se determina o potencial hidrelétrico de uma bacia hidrográfica e se estabelece a melhor divisão de queda, mediante a identificação do conjunto de aproveitamentos que propiciem um máximo de energia ao menor custo, aliado a um mínimo de efeitos negativos sobre o meio ambiente. Essa análise é efetuada a partir de dados secundários, complementados com informações de campo, e pautada em estudos básicos, dentre os quais estão os estudos pedológicos no contexto do diagnóstico ambiental da região em foco. Os estudos contratados tiveram como objetivo apresentar informações generalizadas sobre a distribuição geográfica e a natureza dos solos que ocorrem dentro dos limites da bacia hidrográfica do rio Itacaiúnas. Foram utilizados informações de levantamentos pedológicos preexistentes e aqueles obtidos por campanhas recentes efetivadas na região, em combinação com interpretações e correlações de geologia, geomorfologia, clima e vegetação. Com estes parâmetros foi possível diferenciar as classes de solos e definir a espacialização de cada unidade de mapeamento, além de avaliar a aptidão agrícola das terras e a susceptibilidade a erosão.


Perfil de Podzólico Vermelho-Amarelo distrófico (Argissolo) na margem direita da Grota do Café, proximidades do projeto de assentamento Douradas, no limite norte da bacia do rio Itacaiúnas.

Classificação do uso e ocupação do solo nos vales dos rios Itacaiúnas e Parauapebas e parte de vale do Tocantins em 2001. Fonte: INPE. Análise e classificação de imagens do satélite LandSat 5, 2001, software SPRING.

Perfil de Solo Aluvial (Neossolo Fluvico) que está associado a Latossolo Vermelho-Amarelo álico, nas proximidades do córrego Açúcar, afluente da margem esquerda do rio Itacaiúnas, nas imediações da alternativa de barramento 3.
     

Panorâmica de área com Podzólico Vermelho-Amarelo distrófico (Argissolo), nas proximidades do projeto de assentamento Douradas, no limite norte da bacia do rio Itacaiúnas.

Verificação pedológica em corte de estrada.

Pastagem sobre Latossolo Vermelho-Amarelo álico em relevo suave ondulado com formação de cupinzeiros, margem esquerda do rio Itacaiúnas, na área de influência direta do empreendimento.
     

Processo erosivo em área sem cobertura vegetal a aproximadamente 10 km de Marabá rumo Eldorado dos Carajás na PA-150.

Corte de estrada mostrando um perfil antigo e decapitado de Solo Petroplíntico (Plintossolo Pétrico), a aproximadamente 45 km de  Marabá.

Perfil de Podzólico Vermelho-Amarelo álico nas proximidades do igarapé Jacarezinho, a 5 km de Curionópolis.
     

CARGO : Engenheiro  Agrônomo / Consultor do Setor de Meio Ambiente da Engevix Engenharia S/A (Brasília - DF, 2004) 

PERÍODO: 2004
 


Áreas de pastagem formadas sobre Podzólicos (Argissolos), em relevo ondulado e suave ondulado que é predominante na região situada entre os rios Vermelho e Sororó

Talhão de teca (Tectona grandis), espécie exótica sobre Podzólico Vermelho-Amarelo distrófico, margem esquerda do rio Vermelho, Eldorado dos Carajás.

Região com associação de solos de textura arenosa e média (Areias Quartzosas e Latossolos álicos), com pastos degradados e severo processo erosivo .

Ravinamentos que ocorrem em Podzólicos associados à Latossolos e Solos Petroplínticos. Terras da fazenda Gameleira, na estrada vicinal que interliga Marabá a vila União.
     

TRABALHOS EXECUTADOS:
levantamento bibliográfico e coleta de dados secundários;
seleção do material básico (imagens de satélites e bases cartográficas na escala 1:250.000, do IBGE E DSG/Ex);
interpretação preliminar de fotos e imagens disponíveis, originando o delineamento primário do mapa de solos;
planejamento de campanha para aquisição de dados primários;

trabalhos de campo para caracterizar as diversas unidades de mapeamento;

documentação fotográfica, com registro dos principais aspectos pedológicos da área inventariada;
ajuste do delineamento de solos, originando o mapa final;
avaliação da susceptibilidade dos solos a erosão;

avaliação da aptidão agrícola das terras;

caracterização do uso atual da terra
elaboração do relatório temático.
 


Rio Itacaiúnas nas proximidades da confluência com o rio Pardo. Notar as margens ainda bem vegetadas, condição que evita a erosão em Solos Aluviais (Neossolos Fluvicos) e Latossolos, na área de influência direta.

Barranco de Solo Aluvial (Neossolo Fluvico) que estão associados a Latossolo Vermelho-Amarelo na margem esquerda do rio Itacaiúnas, nas proximidades do córrego Açúcar.

 

RESULTADOS DOS ESTUDOS PEDOLÓGICOS:
aproximadamente 90% da área da bacia hidrográfica do rio Itacaiúnas é constituída por solos de baixa fertilidade natural, às vezes, apresentando impedimentos físicos (pouca profundidade, pedregosidade, rochosidade, drenagem interna lenta) que restringem o uso agrícola;

  os solos de fertilidade natural média / alta e que representam os restantes 10% da área da bacia;

  expressando as características de baixa fertilidade natural dos solos, muitas vezes, associadas a outros fatores de impedimento como a pouca profundidade efetiva e a presença de cascalhos e pedras na superfície e no interior dos perfis, a classe predominante de aptidão agrícola das terras da bacia do rio Itacaiúnas é aquela que determina restrições ou inaptidão para os cultivos agrícolas considerando os sistemas de manejo disponíveis.

   para a produção sustentada de culturas anuais e perenes é sempre necessária a aplicação de adubos e corretivos dos solos, sem a qual, inexoravelmente, acontecerá o declínio das colheitas e o esgotamento das terras.

   em razão da deficiência de assistência técnica que poderia disseminar novos e adequados sistemas de manejo e da falta de apoio creditício que facilitasse a aquisição dos insumos necessários ao agronegócio em nível familiar, associada à desorganização reinante entre os pequenos agricultores, as áreas colhidas e os rendimentos de cultivos agrícolas são sempre baixos.

   a pecuária de corte em todos os municípios, sem exceção, é a atividade mais significativa desenvolvida sobre os solos da bacia.  Tal opção representa o principal fator de degradação dos ecossistemas amazônicos situados no sudeste paraense, pois exige o desmatamento de grandes extensões de terras ocupadas principalmente pela floresta tropical densa que outrora apresentava uma extraordinária concentração de castanheiras.

solos de média a alta fertilidade natural como as Terras Roxas e Podzólicos Vermelho-Escuros que ocorrem restritamente em alguns municípios da bacia, talvez pela falta de apoio oficial, ainda não são plenamente utilizados para efetivar uma produção agrícola comercial que realmente pudesse agregar mais valor econômico e refletisse na melhoria de vida dos agricultores.

  os dados hipsométricos da bacia do rio Itacaiúnas mostram que as altitudes dominantes estão na faixa dos 60 a 300 metros, em aproximadamente 85% da área total, encerrando declividades menores que 5% até, no máximo, 15%. Associando estes parâmetros com a textura dos solos, é possível determinar as diversas classes de susceptibilidade à erosão dentro da bacia. Deste modo, verifica-se que a tendência majoritária, sob condições naturais ou manejo apropriado, é a de que os solos nesta situação sofram poucas perdas por erosão.

  os solos com declives superiores a 15%, que representam os restantes 15% da área da bacia, dependendo da densidade da cobertura vegetal existente sobre eles, podem desenvolver processos erosivos de várias intensidades, desde a erosão laminar moderada até a formação de sulcos e voçorocas.

  apesar da área da bacia, em sua maior parte, não apresentar características que condicionem o desenvolvimento de intensos processos erosivos, verifica-se que em muitos municípios existem espaços bastante erodidos em decorrência da inobservância das mais simples medidas conservacionistas. Assim, ravinas e voçorocas sempre estão presentes naquelas regiões declivosas que foram desmatadas  para a instalação de pastos, os quais, muitas vezes, ficam degradados em pouco tempo transformando-se em locais de extrema vulnerabilidade em relação aos agentes do intemperismo.

O QUE EU TEMO NÃO É A ESTRATÉGIA DO INIMIGO, MAS OS NOSSOS ERROS.     PÉRICLES
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