UHE TUCURUI![]()
ELEVAÇÃO DO NÍVEL DO RESERVATÓRIO PARA COTA 74
INFORMAÇÕES GERAIS: A caracterização dos solos da área de influência da UHE
Tucuruí, visa subsidiar a elaboração do Relatório de Avaliação e Plano de Ações
Ambientais referentes à ampliação da usina. Essa ampliação consiste,
basicamente, na implantação de comportas planas adicionais sobre cada uma das 23
comportas de segmento do vertedouro com o objetivo de promover a elevação do
nível d’água máximo operacional do reservatório da cota 72 m para a 74 m. Com
isso, será possível, a partir da otimização da estrutura já construída, acumular
um maior volume d’água e garantir uma maior queda, resultando em um incremento
na produção de energia elétrica. O Relatório de Avaliação e o Plano de Ações
Ambientais deverão servir de base para o processo de licenciamento junto à
SECTAM – Secretaria Executiva de Ciência, Tecnologia e Meio Ambiente do Pará,
bem como para o planejamento das medidas ambientais associadas à ampliação do
reservatório. Os estudos de solos e a avaliação da aptidão agrícola para
agricultura, pastagem e silvicultura foram executados tendo como escopo as
orientações contidas no Termo de Referência específico.
SOLOS DA ÁREA DE INFLUÊNCIA DA UHE TUCURUI - CLASSIFICAÇÃO ANTERIOR AO SiBCS, EMBRAPA
![]() Perfil de Latossolo Amarelo |
![]() Perfil de Plintossolo |
![]() Perfil de Podzólico Vermelho-Amarelo |
![]() Perfil de Cambissolo |
![]() Perfil de Latossolo Vermelho-Amarelo |
![]() Perfil de Areia Quartzosa Hidromórfica |
![]() Vista panorâmica das áreas de relevo ondulado onde ocorre Podzólico Vermelho-Amarelo, ao longo da Transamazônica |
![]() Erosão severa da margem esquerda do reservatório com dominância de Podzólico Vermelho-Amarelo |
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ATUAÇÃO: Com a finalidade de caracterizar os solos da área de influência da UHE Tucuruí, foi consolidado um mapeamento pedológico na escala 1:250.000, com base nos informações já existentes na região e dados obtidos em viagem de reconhecimento pelas rodovias PA-263, PA-150, BR-230 (Transamazônica) e vicinais, além de incursões com caminhamentos em acessos pelo reservatório. A área de influência local da UHE Tucuruí definida neste trabalho, considerando a elevação da cota do reservatório, abrange: a extensão total do reservatório e suas ilhas; região compreendida entre as cidades de Marabá e Tucuruí.
SOLOS DA ÁREA DE INFLUÊNCIA DA UHE TUCURUI - CLASSIFICAÇÃO ANTERIOR AO SiBCS, EMBRAPA
![]() Perfil de Solo Litólico |
![]() Perfil de Areia Quartzosa |
![]() Perfil de Gleissolo |
![]() Perfil de Solo Aluvial |
![]() Perfil de Solo Petroplíntico |
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CARGO : Engenheiro Agrônomo / Consultor do Setor de Meio Ambiente da Engevix Engenharia S/A (Brasília - DF, 2004) |
PERÍODO: 2004
TRABALHOS
EXECUTADOS:
Pesquisa Bibliográfica:
Levantamento dos estudos e mapeamentos existentes, com
seleção dos dados de interesse para este levantamento;
Visita às Instituições:
Nesta etapa foram visitados vários
organismos oficiais (IBGE-Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, Cpatu/Embrapa-Centro
de Pesquisa Agroflorestal da Amazônia Oriental/Empresa Brasileira de Pesquisa
Agropecuária, Ceplac-Comissão Executiva do Plano de Valorização da Lavoura
Cacaueira, Sivam-Sistema de Vigilância da Amazônia,
entre outros), depositários de informações pertinentes ao assunto,
objetivando-se manter contatos com técnicos e outros profissionais que atuam na
área de estudos e levantamentos de solos;
Viagem de
Reconhecimento: Foi realizada uma
operação de campo para verificações locais em algumas áreas de interesse, tais
como margens do reservatório, áreas dos assentamentos atuais, áreas agrícolas
que podem ser inundadas etc. O objetivo foi registrar as feições atuais com
relação, por exemplo, ao nível de erosão, a capacidade de produção agrícola, aos
tipos de manejos adotados, o índice de recuperação natural de áreas degradadas
etc. Além disso, aproveitou-se a oportunidade para também fazer registros
fotográficos das diferentes situações encontradas;
Avaliação dos Dados
Disponíveis: Nesta etapa os objetivos
foram múltiplos, tais como, compatibilizar e
uniformizar as informações oriundas de fontes diferentes (descrição geral dos
perfis, tabelas de resultados de análises físico-químicas, descrições
morfológicas etc.), assimilar os mais recentes
delineamentos e que melhor definem os limites das diferentes unidades de
mapeamento e que foram consolidados sobre uma base cartográfica; procedeu-se
também a re-interpretação de imagens de radar 1:250.000, das Folhas SA.20-Z-C e
ZD, SB.22-X-A, X-B, X-C e X-D, para ajustes no delineamento tendo como base
informações mais recentes e a experiência adquirida na região;
selecionar e verificar a consistência de dados de interesse
para a avaliação da aptidão agrícola das terras;
Emissão do Relatório
Temático: Apresentação dos resultados do
trabalho e das recomendações por ele geradas, contemplando a descrição das
principais características dos solos mapeados, sistematização dos resultados das
análises físicas e químicas, descrição morfológicas dos perfis representativos
das principais classes, avaliação da aptidão agrícola das terras, legendas dos
mapas de solos e aptidão agrícola, dentre outros aspectos;
Elaboração do Mapa e
Legenda de Solos: Consolidação de
representação gráfica através dos delineamentos selecionados e alocados sobre a
base cartográfica da área de influência local. Os polígonos que compõem as
diversas unidades de mapeamento foram desenhados em mapa de serviço e
posteriormente digitalizados para emissão do mapa final;
Elaboração do Mapa e
Legenda de Aptidão Agrícola:
Consolidação da cartografia das diversas classes de aptidão agrícola das terras
com sua respectiva legenda, com base nas informações do mapa de solos.
![]() Em primeiro plano área de relevo aplainado onde ocorre Plintossolo utilizado com pastagem, na PA-150, trecho Goianésia - Marabá |
![]() Sítio de relevo ondulado com plantação de banana em Podzólico Vermelho-Amarelo margem direita do reservatório |
RESULTADOS DOS ESTUDOS PEDOLÓGICOS:
os
solos da área de influência local do reservatório da Usina Hidrelétrica de
Tucuruí, não fugindo a característica regional, quase sempre possuem baixa
fertilidade natural, o que influencia diretamente nos baixos índices de
produtividade das culturas quando é adotada o tipo de manejo tradicional (manejo
A), onde quase não existem possibilidades de melhorar os impedimentos
existentes, com a adoção de calagem e fertilização dos solos.
a dominância significativa dos Podzólicos Vermelho - Amarelos
(65,5 % - 1.398.430 hectares) em topografia movimentada (relevo ondulado e forte
ondulado) condiciona grande parte da região mapeada a riscos de erosão,
sobretudo se houver desmatamento indiscriminado e não reposição da cobertura
vegetal de proteção ao solo. A ocorrência freqüente de pedras e/ou cascalhos, na
superfície ou no interior desses solos, representa fator de dificuldade ao uso
com lavoura se empregado máquinas agrícolas em regime intensivo (manejo C) ou
semi - intensivo (manejo B). Para essas áreas, não convém adotar mecanização e
seriam melhor aproveitadas com cultivos de ciclo longo, que oferecem maiores
possibilidades de controle ao processos erosivos.
em geral, os Latossolos Amarelos e Vermelho - Amarelos (20,5
% - 437.670 hectares), são solos que se prestam as atividades agrícolas e
permitem a adoção de plena mecanização (exceto os muito argilosos), em
conseqüência de estarem localizados em regiões de topografia pouco movimentada
(relevo suave ondulado) e sem outros grandes impedimentos físicos no perfil,
exceção para aqueles muito cascalhentos. No entanto, requerem sempre o uso de
corretivos e adubos para minimizar os efeitos da acidez elevada e da baixa
fertilidade natural.
principalmente nas áreas adjacentes a Transamazônica, áreas
agrícolas antes utilizadas com culturas de subsistência e fruticultura, cedem
lugar para a pecuária extensiva. A falta de manutenção das estradas principais e
dos caminhos vicinais de acesso as glebas, é outro fator de desestimulo aos
produtores rurais.
as
áreas onde ocorrem Areias Quartzonas Hidromórficas, por não apresentarem nenhuma
condição de aproveitamento agrícola com a atual tecnologia, em conseqüência da
baixíssima fertilidade natural e da constante situação de encharcamento que
caracteriza estes ambientes, devem permanecer em estado natural. A remoção da
vegetação arbustiva primitiva (campinarana) que reveste estes locais, poderia
trazer sérios riscos de erosão.
grande
parte das ilhas existentes no reservatório possuem relevo e solos não muito
favoráveis ao uso agrícola. Assim, além do impedimento legal que possa existir
para ocupação por agricultores, tecnicamente essas ilhas (salvo exceções) não
representam uma boa opção para o uso racional com lavouras.
existe
acentuada erosão em decorrência do choque das ondas formadas no reservatório,
principalmente nos barrancos situados na margem esquerda, local de contraposição
aos ventos dominantes na região.
as extensas áreas de Plintossolos (6,5 % - 138.780 hectares),
em relevo variável de plano a ondulado que ocorrem ao longo da PA - 150, no
trecho Goianésia - Nova Ipixuna, quando não apresentam cascalhos em grande
quantidade, são utilizados com pastagens, principalmente de Brachiaria,
que sustentam rebanhos em regime semi - extensivo.
os Latossolos Vermelho - Amarelos, que ocorrem nas
proximidades de Tucuruí, apresentam horizontes superficiais de elevada
fertilidade natural, fato que traduz-se num significativo potencial para uso
agrícola. O impedimento mais sério para a plena utilização desses solos com
cultivos agrícolas está no relevo. Atualmente são utilizados com pastagem.
os solos situados na margem esquerda (p. ex.: unidades de
mapeamento PV 6 e PV 10), apesar de serem pouco férteis, apresentam um "status"
de nutrientes bem mais elevado, quando comparados aos solos da margem direita.
As limitações mais importantes dessas unidades referem-se principalmente as
características topográficas do terreno (relevo ondulado e forte ondulado), e/ou
a presença de pedras e cascalhos na superfície ou em diversas profundidades do
perfil.
na
área de influência local do reservatório da Usina Hidrelétrica de Tucuruí, a
maioria das terras enquadram-se na classe de aptidão restrita para uso com
qualquer tipo de lavoura de ciclo curto ou anual (85% - 1.814.800 hectares), ou
de ciclo longo ou perene (83% - 1.772.000 hectares)), se adotado o sistema de
manejo A, que pressupõe a quase ausência de capital e tecnologia, e não oferece
oportunidades para que sejam removidos ou abrandados os impedimentos existentes,
principalmente quanto a generalizada baixa fertilidade natural dos solos.
aproximadamente 18% - 384.300 hectares das terras apresentam aptidão regular
para culturas anuais no sistema de manejo B, que preconiza recursos e tecnologia
para corrigir ou abrandar as limitações naturais existentes. Na classe de
aptidão restrita, neste mesmo sistema de manejo B, os cultivos anuais podem ser
explorados em 56% - 1.195.600 hectares da área em foco.
no
sistema de manejo C, caracterizado pelo emprego significativo de capital e da
tecnologia disponível, aproximadamente 6% - 128.100 hectares das terras são
classificadas como de aptidão regular para culturas de ciclo curto. Na classe
restrita, adotando o mesmo manejo C, são consideradas 49% - 1.046.100 hectares.
culturas
agrícolas anuais são desaconselháveis de serem exploradas (Manejo B) em 26% -
555.100 hectares, devido os solos apresentarem fortes limitações para o sistema
de manejo adotado.
em
conseqüência do tipo de relevo e das características físicas dos solos, 8% -
170.800 hectares são classificados de aptidão boa para lavoura com cultivos
perenes, se adotado o manejo B, que não exige mecanização intensiva.
uma porção bastante expressiva das terras da área de
influência local (60% - 1.281.000 hectares) apresenta aptidão regular para
culturas de ciclo longo no sistema de manejo B. Lembramos que, com este manejo,
se não for adotada mecanização, a aptidão para culturas perenes pode ser
considerado boa, mesmo em terrenos de topografia movimentada.
aproximadamente
36% - 768.600 hectares apresentam aptidão regular para culturas de ciclo longo
se for adotado o sistema de manejo C.
para
pecuária, com adoção de um manejo semi - intensivo, onde as forrageiras podem
ser estabelecidas em campo após razoável preparo do terreno, corrigindo-se as
limitações de ordem química, cerca de 49% - 1.046.100 hectares podem ser
considerados de aptidão regular.
as
terras classificadas de aptidão boa para silvicultura, considerando as
possibilidades de reflorestamento, somam 66% - 1.409.100 hectares da área de
influência local.
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