UHE SANTA ISABEL![]()
PEDOLOGIA E APTIDÃO AGRÍCOLA - EIA / RIMA
INFORMAÇÕES GERAIS: A UHE Santa Isabel será construída no baixo curso do rio Araguaia, a cerca de 162 km de sua confluência com o rio Tocantins. Este trecho do rio foi objeto de diversos estudos anteriores de inventário hidrelétrico e de viabilidade, que possibilitaram um amplo conhecimento deste estirão fluvial e de seus sítios barráveis, tanto no seus aspectos de engenharia, quanto dos aspectos sócio-ambientais. A ANEEL - Agencia Nacional de Energia Elétrica aprovou a revisão dos Estudos de Inventário realizados pela DESENVIX S.A (referencia D.O.U 173 de 06 de setembro de 2000), e que foram concluídos em janeiro de 2000. Após esta aprovação a DESENVIX obteve a autorização junto a ANEEL, para desenvolver os Estudos de Viabilidade Técnica-Econômica e Ambiental da AHE Santa Isabel, com registro no 48500.000620/00-90. Os estudos e levantamentos pedológicos foram desenvolvidos no contexto do EIA-RIMA, seguindo as diretrizes preconizadas na legislação ambiental brasileira, especialmente as Resoluções CONAMA 01/86 e 237/97, bem como as especificações indicadas no Termo de Referência estabelecido pelo IBAMA.
![]() Neossolo Flúvico Tb Distrófico álico A moderado textura média relevo plano (Solo Aluvial), margem direita do rio Araguaia, a 5 km de Xambioá. Área de Influência Direta. |
![]() Neossolo Flúvico Tb Distrófico álico A moderado textura média relevo plano, margem direita do rio Araguaia, entre Xambioá e Araguanã, a 30 m do igarapé Pedra Preta. Área de Influência Direta. |
![]() Neossolo Litólico distrófico Tb A moderado textura média muito cascalhenta relevo suave ondulado. Margem direita do rio Araguaia, na Fazenda Belém, próximo de Xambioá. Área de Influência Indireta. |
![]() Neossolo Litólico distrófico Tb A moderado textura muito cascalhenta relevo ondulado. Margem direita do rio Araguaia, a 15 km do rio Corda. Área de Influência Indireta. |
![]() Cambissolo Háplico distrófico A moderado textura média cascalhenta relevo ondulado. Na estrada vicinal para Santa Cruz. Área de Influência Indireta. |
![]() Projeto de Assentamento Limeira/INCRA, na margem esquerda do rio Corda, próximo a margem direita do rio Araguaia. Área de Gleissolo Háplico Tb Distrófico textura média/argilosa relevo plano utilizado com pastagem. O processo de degradação das pastagens é conseqüência da invasão de capim nativo de difícil controle. |
![]() Área marginal esquerda do rio Corda, Projeto de Assentamento Limeira/INCRA, no contato da planície de inundação formada por Neossolos Flúvicos Distróficos) e Gleissolos Háplicos Distróficos com os terrenos mais elevados onde dominam Cambissolos Háplico Distróficos de textura média cascalhenta em relevo ondulado. |
![]() Panorâmica da área próxima às corredeiras de Santa Isabel, margem esquerda do rio Araguaia, a 4 km do povoado, onde ocorrem Neossolos Litólicos Distróficos e Cambissolos Haplicos Distróficos de textura média cascalhenta, em relevo ondulado. A pastagem é o uso dominante do solo |
ATUAÇÃO: os estudos pedológicos foram desenvolvidos em três etapas através dos trabalhos de escritório em duas fases, de campo e de laboratório. Foram estudados 34 pontos distribuidos pela AID e AII, e coletadas amostras que foram analisadas pelo laboratório da Soloquímica, em Brasília. Nas áreas mapeadas (AID, AII e Bacia Hidrográfica), foram consultados mais de 172 perfis completos (em trincheiras, cortes de estrada e através tradagem), 109 perfis extras e 61 pontos para avaliação da fertilidade natural dos solos, provenientes de mapeamentos já realizados na região, perfazendo um total de mais de 1308 horizontes amostrados. O Mapa de Solos e o Mapa de Aptidão Agrícola das Terra, constituem um único documento, onde cada polígono ou unidade de mapeamento é identificado pela sua legenda de solos e pela respectiva legenda de aptidão agrícola.
PERÍODO: 2004-2005
TRABALHOS
EXECUTADOS:
levantamento bibliográfico e coleta de dados secundários;
seleção do material básico (cenas
Landsat 5 TM, bandas 3, 4 e 5, ortofotocartas na escala 1:10.000 com restituição
planialtimétrica, mosaicos semicontrolados de imagem radar na escala 1:250.000,
bases cartográficas na escala 1:250.000, do IBGE E DSG/Ex, base cartográfica
digital do Brasil, escla 1:1.000.000, do IBGE);
interpretação preliminar de fotos e imagens disponíveis,
originando o delineamento primário do mapa de solos;
planejamento das campanhas para aquisição de dados primários;
trabalhos de campo para caracterizar,
descrever e coletar amostras de solos para análises laboratoriais;
documentação fotográfica, com
registro dos principais aspectos pedológicos das áreas visitadas;
avaliação da aptidão agrícola das terras;
ajuste final do
delineamento de solos, originando os mapas definitivos;
identificação e avaliação dos impactos provocados pelo
empreendimento sobre o recurso natural solos;
avaliação da erodibilidade dos solos;
elaboração do relatório temático.
![]() Casa típica de colono, em meio ao pasto degradado, infestado de babaçu. O solo pedregoso e de baixa fertilidade – Cambissolos de textura média cascalhenta e Neossolos Litólicos álicos e distróficos, não permitem a produção sustentável |
![]() Vista panorâmica a partir do local das inscrições rupestres de Santa Cruz, observando-se em primeiro plano a rochas emersas do rio Araguaia. Ao fundo, as instalações da Fazenda Furna Azul, uma grande propriedade rural cuja principal atividade é a pecuária, e que será parcialmente inundada |
![]() No primeiro plano o rio Araguaia, ao fundo a silhueta da Serra das Andorinhas, onde dominam os Neossolos Litolicos associados a Cambissolos em relevo ondulado e forte ondulado, sob vegetação de floresta. |
RESULTADOS OBTIDOS:
foi considerado para efeito deste inventário a clássica
segmentação do curso do rio Araguaia em três compartimentos: Alto Araguaia
(desde a sua nascente até a cidade de Registro do Araguaia/GO); Médio Araguaia
(Registro do Araguaia/GO até Conceição do Araguaia/PA) e Baixo Araguaia (a
partir de Conceição do Araguaia/PA até a sua confluência com o rio Tocantins),
bem como a compartimentação geomorfológica apresentada no tópico anterior.
nesse cenário, os diferentes tipos de solos se
distribuem nos seguintes Domínios Geomorfológicos:
Planaltos, Depressões e Serranias - nos terrenos cristalinos
pré-cambrianos desse domínio, em geral, ocorrem solos pouco profundos tais como
Cambissolos, Podzólicos rasos, Litólicos e Solos Petroplínticos, já entre as
serras, nos sítios de topografia mais suave, ocorrem os Latossolos; Chapadões e Patamares - nesse domínio, nos terrenos
areno-argilosos paleozóico-mesozóicos, as áreas de relevo dissecado apresentam
solos delgados como Cambissolos e Podzólicos; nos relevos escarpados, os solos
Litólicos; nas áreas planas, ocorrem extensões significativas de Areias
Quartzosas e de Latossolos; Depressões e
Planícies com coberturas dentríticas e/ou lateríticas cenozóicas - esse domínio
integra a grande unidade de relevo conhecida por Depressão do Araguaia, existe
uma homogeneidade topográfica, assim caracterizada: são ocupadas principalmente por Latossolos; morrotes de
rochas do substrato (inselbergues) aparecem ocasionalmente e se
distribuem por toda a área, atestando a agressividade erosiva que ocorreu em
clima pretérito; nas proximidades do rio Araguaia, essas áreas aplanadas dividem
espaço com as planícies fluviolacustres compostas por sedimentos aluviais
quaternários, com solos hidromórficos, tais como Plintossolos, Gleissolos e
Areias Quartzosas Hidromórficas e que predominam na ilha do Bananal; dentre os Latossolos que ocorrem nessa vasta depressão
topográfica, caracteristicamente profundos e muito profundos, predominam os do
tipo Vermelho-Amarelo, que podem ocorrer associados com Solo Petroplíntico;
o Latossolo Vermelho-Escuro também está
presente, mas em menor escala; planícies fluviais holocênicas - são as áreas
constituídas por depósitos aluviais quaternários, predominantemente holocênicos,
com argilas, siltes, areias e cascalhos, eventualmente associados com restos
vegetais; nos terraços baixos predominam Gleissolos e nos mais altos Solos
Aluviais; a topografia é essencialmente plana, com altitudes decrescentes de
montante para jusante onde se distinguem pelo menos dois níveis de terraços: um
de várzea, mais baixo, periodicamente inundável, e outro mais elevado,
descontínuo, capaz de ser inundado apenas em cheias excepcionais.
de maneira geral, as áreas com maior susceptibilidade
à erosão laminar se situam no norte e no sudeste da bacia. No norte, pela margem
esquerda do rio Araguaia, desde a região paraense de Santana do Araguaia até
Palestina do Pará e pela margem direita, desde as proximidades da foz do rio do
Coco próxima ao extremo norte da Ilha do Bananal até a localidade de Araguatins/TO.
No sudeste, áreas com esse perfil ocorrem na região compreendida entre os altos
dos rios Crixás, Tesouras, do Peixe e Vermelho, todos no Estado de Goiás.
as áreas consideradas de baixa susceptibilidade à
erosão concentram-se principalmente na porção central da bacia, na região da
Planície do rio Araguaia, notadamente na Ilha do Bananal. Ocorrem também, em
menores proporções, no extremo sudoeste; na sub-bacia do rio das Mortes.
os solos com maior susceptibilidade à erosão, devido à sua
baixa coesão e alta friabilidade, são os Neossolos,
sejam Quartzarênicos, Litólicos ou Flúvicos mesmo em condições de relevo menos
acidentado. Este é um aspecto relevante uma vez que os Neossolos ocupam, pelos
estudos do inventário, aproximadamente 13% da área total da bacia do rio
Araguaia o que representa aproximadamente 50.000 km2 , exigindo assim
cuidados no controle de seu uso.
os Neossolos Quartzarênicos (Areias Quartzosas) estão
geralmente associados às planícies aluviais. Na bacia do rio Araguaia
concentra-se principalmente no Sul-Sudeste mais associados aos planos
intermediários de superfícies, onde o sistema morfogênico predominante, segundo
a análise procedida dos sistemas morfodinâmicos, é do tipo pedogênese e erosão
ativas e deposição baixa.
os
Neossolos Litólicos (Solos Litólicos) estão comumente associados às áreas
situadas na base das formações de serras como o da Serra Dourada/GO e no entorno
das chapadas elevadas como o da Chapada do
Guimarães/MT. Os sistemas morfogênicos atuantes são os de pedogênese dominante e
erosão e deposição baixas, nas Chapadas e Escarpas e de pedogênese e erosão
ativas e deposição baixa, na base das formações serranas contidas nos limites da
bacia.
os Neossolos Flúvicos (Solos Aluviais) ocorrem em menor
escala, quase sempre associados às planícies fluviais ao longo dos principais
rios da bacia. Estão concentrados na parte mais plana do rio Araguaia onde
predomina o sistema morfodinâmico do tipo pedogênese e deposição dominantes e
erosão baixa.
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