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ARTIGOS
E OPINIÃO |
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LEIA AQUI ALGUNS DOS NOSSOS ARTIGOS
SOBRE A TEMÁTICA AMBIENTAL E, POR FAVOR, DEIXE SEUS COMENTÁRIOS |
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VOCÊ JÁ PODE BEBER ÁGUA
DE ICEBERG
17/setembro/2011
engenheiro agrônomo Leonam Furtado
Pereira de Souza
Iceberg (do inglês ice
= gelo + do alemão berg = montanha) é um enorme bloco
ou massa de gelo que se desprende das geleiras existentes nas calotas
polares, originárias da era glacial, há mais de cinco mil anos. São
constituídos primordialmente de água doce que pode estar contaminada por
restos orgânicos, como dejetos e corpos de animais. Vale salientar que
um iceberg não deve ser confundido com banquisas, que são
plataformas de água do mar congelada no inverno e que normalmente
desaparecem no verão. A parte visível dos icebergs representa cerca de
10% da sua massa ou volume total enquanto os demais 90% permanecem
submersos. Em se tratando de dimensões lineares, notadamente a altura,
tem-se que, em média, cerca de 1/7 do iceberg aflora, emerso, à
superfície, enquanto os demais 6/7 constituem a porção oculta,
funcionando como lastro submerso da massa polar flutuante. A flutuação
do iceberg é possível pela característica física do gelo polar de água
doce, cuja massa específica ou densidade absoluta é de cerca de 0,917
g.cm−3, enquanto a água do mar, por ser solução salina, apresenta massa
específica necessariamente maior do que 1 g.cm−3, em média, 1,025
g.cm−3. Desta forma, pelo Princípio de Arquimedes, o iceberg
necessariamente terá que flutuar na água do mar que é mais densa.
É bom lembrar que em cada 1000 litros de
água doce existente no planeta Terra cerca de 18 litros (1,8% ) estão
nas geleiras e nos icebergs que delas se desprendem. Sabe-se que de 1900
até hoje a população da Terra cresceu mais de 2,2 vezes, enquanto o
consumo de água aumentou 7 vezes, refletindo-se na menor disponibilidade
para o consumo humano que caiu 35% nos últimos 40 anos. O resultado
disso é que hoje existem no mundo cerca de 1,4 bilhão de pessoas que
passam sede ou utilizam água imprópria ou poluída. Neste contexto,
relaciono a seguir algumas curiosidades sobre a utilização dos icebergs
como fonte de água doce para suprir as demandas da humanidade:
- Há alguns anos, foi concebido um plano
visando o deslocamento, ao longo de 8.000 km, de um iceberg com
aproximadamente 1.500 m de comprimento, 800 m de largura e 700 m de
altura, pesando 100 milhões de toneladas, do continente antártico para
suprir de água potável áreas desérticas da Arábia Saudita. Tal
empreendimento, de custo exorbitante custeado pelo rei Khaled, foi
concebido porque o preço da água potável assim obtida seria bem menor
que o resultante da dessalinização da água do mar, mesmo que ao longo da
viagem fossem perdidos 20% do volume do iceberg, conforme a previsão.
- Há mais de um século, pequenos
icebergs foram rebocados da laguna San Rafael, no sul do Chile, até o
porto peruano de Callao, para ser utilizado como gelo na indústria. No
final do século XIX, a cidade de Valparaíso, também no Chile,
utilizou-se desses icebergs para equacionar seu abastecimento de água.
-
Pesquisas recentes demonstram
que o derretimento dos icebergs no oceano ao redor da Antártida pode na
verdade desacelerar o aquecimento global. As partículas de ferro que
eles contêm, alimentariam as algas que absorvem o CO2. Os cientista
acreditam que o ferro tenha um efeito potencializador da fertilização
das águas marinhas e calculam que os icebergs despejam atualmente 120
mil toneladas desse elemento no Oceano Sul, fazendo com que 2,6 bilhões
de toneladas de dióxido de carbono sejam removidos da atmosfera, o que é
ainda insuficiente para deter o aquecimento global. Em contra posição
aos impactos negativos do degelo em nível global, o efeito da captação
de CO2 através do aumento da quantidade de algas fertilizadas pelo ferro
vindo dos icebergs, aumentaria nas próximas décadas, à medida que mais e
mais gelo se desprender das geleiras em conseqüência da elevação da
temperatura global. Calcula-se que para cada ponto percentual de aumento
na quantidade de gelo que se desprende, um adicional de 26 milhões de
toneladas de gás carbônico seja removido da atmosfera.
- Atualmente, pedaços de
iceberg são derretidos, engarrafados e vendidos com sucesso para as
pessoas de posse na Califórnia. A água é comercializada sob o nome de
Borealis e a campanha publicitária divulga o produto como a mais pura
das puras águas. Sua principal concorrente, uma água de iceberg
engarrafada pelos franceses que ha muito tempo processam pedaços de
iceberg que datam de cerca de dez mil anos, e foram congelados muito
antes da Terra começar a sofrer os efeitos da contaminação ambiental,
desqualificam a pureza da "nova" água, afirmando que provavelmente o
líquido contenha restos de urina de animais polares. Independente desta
guerrinha particular, o valor de uma garrafa de Borealis chega a US$ 10
e pode superar até mesmo o preço do petróleo. Meus amigos, nesta questão
eu prefiro a água dos igarapés que correm no meio das áreas florestadas
que ainda remanescem na Amazônia – é mais barata e mais gostosa. Um
brinde para todos.
(dados e
informações utilizadas nesta postagem foram obtidas em:
http://www2.brasil-rotario.com.br/revista/materias/rev1020/e1020_p8.htm;
http://ceticismo.net/2009/01/09/ferro-de-icebergs-pode-reduzir-aquecimento-global/;
http://sustentabilidadeparacriancas.blogspot.com/2011/03/curiosidades-iceberg.html;
http://pt.wikipedia.org/wiki/Iceberg)
(este artigo também
foi publicado em
http://leonamsouza.blogspot.com/2011/09/voce-ja-pode-beber-agua-de-iceberg.html#links) |
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A ENERGIA DAS ESTRADAS
15/julho/2011
engenheiro agrônomo Leonam Furtado
Pereira de Souza
Os cientistas israelenses estão
desenvolvendo um sistema para a produção de energia através da pressão
exercida pelos veículos sobre o asfalto. A nova tecnologia representa um
avanço, mas ainda tem diversas questões para serem resolvidas. O sistema
revolucionário para gerar energia elétrica consiste na instalação de
geradores espaciais em baixo das estradas e até mesmo em pistas de
aeroportos. Os dispositivos são integrados a produtores de energia a
partir da aplicação da força mecânica exercida pelos pneus dos veículos.
Uma estrada com extensão inferior a um quilômetro poderia produzir
energia suficiente para 600 residências por um período aproximado de um
mês.
Entretanto, antes de ser posta em prática os pesquisadores ainda tem de
resolver alguns problemas relacionados à viabilização da técnica, pois
precisam determinar os limites para a instalação do dispositivo, além de
outros enormes desafios. Sobre essas questões Haim Abramovich – líder do
projeto desenvolvido no Instituto Politécnico em Haifa – fala sobre a
necessidade de criar mecanismos para que os geradores possam suportar a
pressão de veículos de grande porte. A nova tecnologia pode representar
uma revolução nas formas de obtenção de energia e a massificação desta
técnica pode reduzir significativamente os custos envolvidos no
processo. (Fonte:
http://www.jornalciencia.com). Eu digo que no Brasil, primeiro vão
ter que acabar com a corrupção e depois fazer estradas de verdade. Não é
mesmo? |
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E-MAIL NA PEDRA
12/julho/2011
engenheiro agrônomo Leonam Furtado
Pereira de Souza
Em 2004, estive trabalhando na divisa
entre o Pará e o Tocantins, e fiquei hospedado em Xambioá, cidade
ribeirinha do rio Araguaia na margem tocantinense, famosa por servir de
palco aos episódios da fratricida luta armada que ceifou a vida de
muitos brasileiros. Estava fazendo campanha para a elaboração do mapa
pedológico de parte daquela imensa bacia hidrográfica. Aconteceu que,
numa manhã ensolarada encostamos o barco na margem paraense repleta de
matacões escurecidos e andamos um pouco sobre a superfície de topografia
muito irregular constituída por rochas de diversas dimensões. De
repente, encontrei-me diante de uma enorme pedra contendo várias
inscrições onde destacava-se a figura de um sol radiante. Sem saber por
que, fiquei arrepiado, emocionado, estático e com os olhos fixos
naquelas gravuras feitas por nossos antepassados que, certamente com
grande esforço, deixaram uma mensagem, um verdadeiro e-mail rupestre que
nós, por descaso, ainda não conseguimos decifrar. Talvez estejamos
cometendo um erro.
Na Serra dos Martírios/Andorinhas, localizada no município de São
Geraldo do Araguaia, sudeste do Pará, são encontrados alguns sítios que
representam abrigos de pinturas rupestres sobre as quais as informações
ainda são bastante restritas pois existem apenas documentação sumária
sobre eles. A serra constitui território de duas unidades de
conservação: o Parque Estadual da Serra dos Martírios/Andorinhas e a
Área de Proteção Ambiental São Geraldo do Araguaia, criadas em 1996 e
ambas sem plano de manejo até o momento. No entorno da Serra das
Andorinhas, nas margens do rio Araguaia, existem dois importantes sítios
com gravuras rupestres – a Ilha dos Martírios e a Pedra Escrita – cujo
acesso é relativamente fácil e cujas gravuras podem ser visualizadas com
nitidez. Apesar disso, alguns desses locais têm sido prejudicados pela
ação de visitantes desinformados sobre a importância do patrimônio
arqueológico. Como principais fatores de degradação e de ameaça a esse
patrimônio destacam-se:
a) ação natural das intempéries, principalmente através dos períodos
alternados de secas e cheias do rio Araguaia;
b) remoção de pedaços de rocha com gravuras por visitantes para serem
guardados como lembranças, vandalismo comprovado na Ilha dos Martírios;
c) implantação de marcos de concreto para balizamento topográfico ao
lado de painéis com gravuras rupestres na ilha dos Martírios;
d) construção da hidrelétrica de Santa Isabel representando talvez a
principal ameaça ao conjunto de gravuras rupestres desta região.
Na verdade o turismo nesta região é improvisado e desassistido. Durante
a visitação à ilha, os guias ou moradores locais para identificar melhor
as gravuras rupestres colocam areia sobre o baixo relevo que formam as
inscrições. As informações sobre a origem das gravuras, quantidade,
tipos de índios que as produziram e o significado de cada um dos
desenhos (sol, jacaré, pássaro, etc.) são repassadas aos visitantes a
partir da interpretação pessoal dos guias sem qualquer amparo
científico. Por outro lado, não há planejamento nem supervisão para
visitação da área, tampouco estruturas que facilitem o percurso no sítio
e que garantam a segurança do visitante e a proteção ao patrimônio.
Finalmente, vale ressaltar que o contato com registros arqueológicos é
um dos mais fascinantes momentos oferecidos pela atividade turística,
pois remete o visitante ao passado, a outras realidades e ao mistério de
nossa origem. Vocês hão de concordar que, só por isso, já se
justificaria a necessidade de preservação e manutenção desses sítios
arqueológicos brasileiros. Tenho razão?
(algumas informações contidas neste post foram obtidas em: Figueiredo,
S.L. & Pereira, E. – Gestão do patrimônio arqueológico para o turismo.
Análise dos sítios de arte rupestre de Monte Alegre e Serra das
Andorinhas - Pará. UFPA/MPEG. Congresso Internacional da IFRAO, Brasil
2009) |
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ENERGIA SOLAR MAIS BARATA
11/julho/2011
engenheiro agrônomo Leonam Furtado
Pereira de Souza
Cientistas australianos criaram células fotoelétricas tão pequenas que
podem ser misturadas na tinta, de modo que poderão ser usadas para
construir painéis solares coloridos a um custo mais acessível e em
tamanho maior que o tradicional. O pesquisador Brandon McDonald, da
Universidade de Melbourne, com a ajuda da Organização para a Pesquisa
Industrial e Científica da Comunidade da Austrália - CSIRO, explicou que
a mistura pode ser aplicada em uma superfície como vidro, plástico e
metais e dessa forma se integra na construção. "Portanto agora é
possível imaginar janelas solares ou sua integração dentro dos materiais
do telhado", apontou o cientista.
Este sistema necessita só de 1% dos materiais que se utilizam
normalmente para fabricar os painéis solares tradicionais. McDonald
indicou que atualmente a energia solar é mais cara que a produzida com
combustíveis fósseis, mas que com esta descoberta poderá impulsionar uma
tecnologia "mais competitiva no nível de custos". O cientista, que
prepara seu doutorado em Ciências na Universidade de Melbourne, espera
que os novos painéis custem um terço a menos que os que agora se
comercializam e que sua invenção esteja no mercado nos próximos cinco
anos. Este descobrimento faz parte dos esforços da comunidade científica
para reduzir os custos e o tamanho dos painéis solares e para buscar
alternativas de produção de energia.
(Fonte: http://br.noticias.yahoo.com/pesquisa-viabiliza-painéis-solares-maiores-baratos-115604534.html) |
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A NOVA TOPOGRAFIA DA AMAZÔNIA
03/julho/2011
engenheiro agrônomo Leonam Furtado
Pereira de Souza
Na minha vivência de
mais de 40 anos participando de levantamentos e mapeamentos de solos,
estudos ambientais, agronômicos e florestais, sempre atuei numa estreita
interface com as disponibilidades cartográficas que possibilitam o
registro das informações temáticas obtidas. Nesta questão, tanto mais
preciso será o mapeamento quanto mais acurada for a base cartográfica
utilizada. Trabalhei doze anos no Projeto RADAM (1974-1986) e sete anos
no SIVAM (1997-2004), dois grandes empreendimentos que procuraram
melhorar as cartas geográficas do setentrião brasileiro e sei que sempre
houveram dificuldades na execução de mapas e na plotagem dos resultados
de pesquisas referentes a região amazônica, justamente pela falta de
informações plani-altimétricas confiáveis, principalmente em áreas
cobertas pela floresta densa.
A Amazônia é uma região tropical de grande extensão e dominantemente
coberta por vegetação florestal. O clima condiciona a formação de
espessas e constantes camadas de nuvens que impedem o pleno uso dos
sistemas tradicionais de recobrimentos aerofotogramétricos e o
imageamento por satélites ópticos. A vegetação exuberante, a ocorrência
de chuvas torrenciais e a falta infra-estrutura viária dificultam, e
muitas vezes impedem, a realização das operações no terreno. É bem
verdade que os documentos cartográficos hoje disponíveis para áreas
florestais não representam as feições do relevo ao nível do solo, e sim
no nível da copa das árvores, pois são produtos do mapeamento executado
entre os anos 70 e 80. Esses mapeamentos utilizaram a mais sofisticada
tecnologia existente na ocasião (o radar podia obter imagens tanto de
dia como à noite e em condições de nebulosidade ou chuva), mas não podia
registrar o que ocorria abaixo das copas das árvores.
Daquela época é a mais completa cobertura temática contínua da Amazônia,
que resultou em mapas geológicos, geomorfológicos, pedológicos, da
cobertura vegetal e do uso potencial da terra, elaborados pelo Projeto
RADAM / RADAMBRASIL entre 1970-1986 com auxílio do radar de visada
lateral: SLAR = Side-Looking Airborne Radar. A plataforma utilizada foi
um avião Caravelle que voava na altitude média de 11 km controlada por
radar altímetro Stewart-Warner com precisão de 50 metros. A velocidade
média da aeronave era de 690 km/h. O sistema de imagens utilizado foi o
GEMS (Goodyear Mapping System 1000), operado na banda X, com
comprimentos de onda próximos a 3 cm e freqüência entre 8 e 12,5 GHz. O
posicionamento do avião era obtido com plataforma inercial do tipo
Litton, apoiado em terra por estações SHORAN com alcance de 400 km e por
estações de posicionamento via satélite TRANSIT, com precisão de
aproximadamente 15 metros, referidas ao datum geodésico de Córrego
Alegre. O aerolevantamento foi realizado em linhas norte-sul espaçadas
de 27,5 km, ângulo de depressão mínimo 15º e máximo 45º, originando
imageamento de faixas com aproximadamente 37 km de largura e
sobreposição lateral de aproximadamente 25%, condição que permite a
utilização da visão estereoscópica na interpretação das imagens com
resolução espacial de 16 metros. Os registros obtidos do projeto foram
organizados e disponibilizados ao público em 550 mosaicos de radar na
escala 1:250.000, possuindo um grau e meio de lado na direção
leste-oeste e um grau na direção norte-sul.
No entanto, apesar de a Amazônia Legal ter uma área total de 5,2 milhões
de km2, cerca de 1,8 milhões de km2 não possuem, até hoje, informações
topográficas / cartográficas terrestres adequadas. Esses quase dois
milhões de quilômetros quadrados são conhecidos como região do “vazio
cartográfico” conforme divulgou a Revista Verde Oliva Ano XXXV, no 197
de agosto/2008. No entanto, já se sabia desde o RADAM, que a solução
tecnológica para superar a dificuldade representada pela constante
presença de nuvens na região amazônica é o emprego de radares, orbitais
ou aerotransportados. Hoje, felizmente, com a utilização do SAR – Radar
de Abertura Sintética, agregando a técnica da interpretação
interferométrica é possível gerar Modelos Digitais da Superfície - MDS,
no nível da copa das árvores e Modelos Digitais do Terreno – MDT, no
nível do solo. Trabalhando e integrando esses dois tipos de dados é
possível melhor conhecer o ambiente amazônico. Mas, é bom se apressar
enquanto temos florestas.
No caso do mapeamento topográfico de regiões de floresta densa, o radar
na banda P (72 cm de comprimento de onda) possibilita a penetração no
dossel da floresta e a interação da onda com a superfície do terreno,
gerando, assim, informações das feições existentes ao nível do solo da
floresta tropical densa. Em regiões com vegetação menos densa ou sem
cobertura vegetal, como áreas desmatadas, áreas de cultivo, pastos e
etc., podem ser utilizados radares com outros comprimentos de onda, tais
como: banda L (23 cm), banda C (5,6 cm) e banda X (3 cm). A utilização
de sensores radar na banda X permite a extração da informação no nível
da copa das árvores devido à impossibilidade de penetração no dossel.
Com isso, a combinação de dados SAR e das bandas X e P proporciona a
obtenção da altura desde o nível do solo até a copa das árvores.
Esperemos, então, que sejam concluídos os serviços de imageamento,
obtenção de dados de campo, tratamento cartográfico e confecção das
cartas sob a competente liderança da DSG – Diretoria do Serviço
Geográfico do Exército Brasileiro, para que possamos conhecer a nova
realidade topográfica da Amazônia que ainda encontra-se coberta por
florestas. Daí por diante os levantamentos, as pesquisas e os mapas
temáticos poderão ser elaborados sobre uma base cartográfica de alta
precisão. Bom para a Amazônia, bom para o Brasil.
(Artigo publicado na coluna AMBIENTE EM TRANSE do Jornal da Cidade
Online - http://www.jornaldacidadeonline.com.br/leitura_artigo.aspx?art=3500) |
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A INSENSATEZ CONTINUA
30/junho/2011
engenheiro agrônomo Leonam Furtado
Pereira de Souza
O desmatamento da floresta amazônica
aumentou 72% em maio deste ano na comparação com o mesmo período do ano
passado, divulgou o Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia. Neste
maio-2011 foram 165 quilômetros quadrados desmatados contra 96
quilômetros quadrados no mês equivalente em 2010. As informações são
baseadas no Boletim Transparência Florestal do Instituto do Homem e Meio
Ambiente da Amazônia - Imazon.
A responsabilidade pelo desmatamento total da Amazônia recai sobre o
Pará, que responde por 39%, sobre o Mato Grosso, com 25%, e Rondônia,
com 21%. Em seguida Amazonas aparece com o equivalente a 12% da área
desmata, seguida por Tocantins, com 2,5%, e Acre, com 0,1%.
Apenas 47% da área florestal na Amazônia Legal foi monitorada pelo
Sistema de Alerta de Desmatamento - SAD em maio de 2011. A cobertura não
foi possível em todo o território já que 53% estava cobertos por nuvens.
Mais de 80% da área florestal da região central e norte do Pará, além do
Amapá e Roraima, estiveram cobertos por nuvens. (Fonte: Agência Estado,
29 de jun de 2011) |
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INFORMAÇÕES SOBRE DIAGNÓSTICO AMBIENTAL
29/junho/2011
engenheiro agrônomo Leonam Furtado
Pereira de Souza
A expressão
diagnóstico ambiental tem sido usada nas instituições brasileiras
(órgãos ambientais, universidades, associações profissionais) com
conotações as mais variadas. Ele pode ser definido como o conhecimento
de todos os componentes ambientais de uma determinada área (país,
estado, bacia hidrográfica, município) para a caracterização da sua
qualidade ambiental. Portanto, elaborar um diagnóstico ambiental é
interpretar a situação problemática dessa área no que tange ao meio
ambiente, a partir da interação e da dinâmica de seus componentes, quer
relacionados aos elementos físicos e biológicos, quer aos fatores
sócio-culturais. Esta caracterização da situação ou da qualidade
ambiental pode ser realizada com objetivos diferentes. Um deles é, a
exemplo do que preconizam metodologias de planejamento, servir de base
para o conhecimento e o exame da situação ambiental, visando a traçar
linhas de ação ou tomar decisões para prevenir, controlar e corrigir os
problemas ambientais (políticas ambientais e programas de gestão
ambiental).
Outro uso e significado da expressão diagnóstico ambiental bastante
disseminado no Brasil é o referente a uma das etapas iniciais dos
estudos de impacto ambiental - EIA que consiste na descrição da situação
de qualidade da área de influência do projeto cujos impactos se pretende
avaliar. A legislação brasileira oficializou a expressão "diagnóstico
ambiental da área" para designar esses estudos, no item correspondente
ao conteúdo mínimo do Relatório de Impacto Ambiental - RIMA (§ 1o, art.
18, Decreto nº 88.351/83). Já a Resolução CONAMA 01, de 23 de janeiro de
1986, dispõe sobre os critérios e diretrizes básicas para o processo de
EIA e RIMA. No seu artigo 6o enfatiza que o estudo de impacto ambiental
desenvolverá, no mínimo as seguintes atividades técnicas: I -
Diagnóstico ambiental da área de influência do projeto completa
descrição e análise dos recursos ambientais e suas interações, tal como
existem, de modo a caracterizar a situação ambientais da área, antes da
implantação do projeto, considerando: a) o meio físico - o subsolo, as
águas, o ar e o clima, destacando os recursos minerais, a topografia, os
tipos e aptidões do solo, os corpos d’água, o regime hidrológico, as
correntes marinhas, as correntes atmosféricas; b) o meio biológico e os
ecossistemas naturais - a fauna e a flora, destacando as espécies
indicadoras da qualidade ambiental. de valor científico e econômico,
raras e ameaçadas de extinção e as áreas de preservação permanente; c) o
meio sócio-econômico - o uso e ocupação solo, os usos da água e a
sócio-economia, destacando os sítios e monumentos arqueológicos.
históricos culturais da comunidade, as relações de dependência entre a
sociedade local, os recursos ambientais e a potencial utilização futura
desses recursos.
A seguir apresentamos um exemplo de o TDR – Termo de Referência para a
elaboração de diagnóstico ambiental no âmbito do processo de
licenciamento de retificação (canalização) de um sistema de
macrodrenagem natural em zona urbana:
No diagnóstico ambiental deste projeto é necessário elaborar uma
completa descrição e análise dos fatores ambientais físicos, bióticos e
antrópicos, e suas interações, de modo a caracterizar a qualidade
ambiental da área de influência antes da implantação do projeto,
considerando, pelo menos os seguintes aspectos:
No meio físico: usos da água nos cursos d'água que serão objeto de
intervenção; caracterização do comportamento hidráulico do sistema
natural de drenagem; caracterização do clima, indicando pelo menos os
índices pluviométricos; caracterização geológica e pedológica,
especialmente quanto à susceptibilidade à erosão. No meio biótico:
mapeamento e caracterização da cobertura vegetal, ressaltando as Áreas
de Preservação Permanente, bem como as de interesse comercial; descrição
e caracterização da fauna, ressaltando as espécies endêmicas ou de
interesse comercial. No meio sócio-econômico (antrópico): caracterização
geral do município quanto às condições sócias e econômicas da população,
principais atividades econômicas, serviços de infra-estrutura;
equipamentos urbanos, sistema viário e de transportes; caracterização
econômica e social da população urbana e rural, destacando aquela
beneficiada pelo empreendimento; dimensionamento preliminar e
caracterização econômica e social da população a ser removida, bem como
indicação dos locais propostos para reassentamento; identificação, em
planta, das interferências do projeto com sistemas viários e de
transportes, linhas de transmissão de energia, locais de disposição
final de resíduos urbanos, etc; caracterização das condições de saúde da
população quanto às principais doenças endêmicas e sua área de
incidência. |
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QUE VENHA A VACA EM FORMA DE BIFE
25/junho/2011
engenheiro agrônomo Leonam Furtado
Pereira de Souza
É do conhecimento de
todos que o metano se constitui num dos gases promotores do efeito
estufa, aquele que causa o aquecimento do planeta. Nos últimos tempos,
no foco dos comentários está a informação de que os volumosos e pacatos
bovinos podem ser o pivô dessa encrenca. Eu ainda não tinha dado muita
bola para isso, mas como fui convidado para saborear um baita churrasco
daqui a pouco, comecei a ficar com remorso e resolvi estudar melhor o
assunto para saber exatamente qual seria a minha contribuição nesta
questão. A seguir apresento para os leitores do nosso blog uma síntese
do que captei na minha pesquisa lendo alguns papers que estavam
guardados na gaveta e praticando blogwalking pela web.
- o metano é um gás inodoro e incolor, hidrocarboneto com molécula
tetraédrica (CH4), de pouca solubilidade na água e inflamável quando em
mistura com o ar. Nos últimos 200 anos, a concentração deste gás na
atmosfera aumentou de 0,8 para 1,7 ppm;
- um dos aspectos negativos do metano é que ele participa da formação do
efeito estufa, colaborando, desta forma, para o aquecimento global com
um potencial nocivo 23 vezes maior que o temível dióxido de carbono. As
principais fontes de metano são: vulcões, decomposição de resíduos
orgânicos, pântanos, petróleo, digestão dos herbívoros, bactérias das
plantações de arroz e combustão anaeróbica de biomassa;
- os bovinos são animais vegetarianos de duplo estômago que no processo
de ruminação produzem gás metano prontamente expelido através de arrotos
e puns de diferentes estampidos, magnitudes e intensidades. Mas não
fique rindo a toa, pois o organismo humano também oferece sua boa
contribuição em metano ao comer alimentos como o feijão e similares;
- o metano é subproduto da fermentação anaeróbica, quer dizer, aquela
verificada na ausência de oxigênio, e no organismo animal a regra é
sempre esta: produziu, acumulou e inchou....tem que sair, com compostura
ou sem ela;
- muito preocupado com a situação o cientista Winfred Dochner, da
Universidade de Hohenheim, Alemanha, inventou a pílula anti-arroto
bovino, batizada de BOLUS, e anda receitando com sucesso o tal
medicamento para seus clientes de quatro patas. Ele afirma que os
arrotos dos ruminantes respondem por cerca de 4% das emissões de gás
metano no planeta e a tendência seria de crescimento, já que o consumo
de carne está aumentando;
- a superpílula BOLUS tem o tamanho da mão fechada e em sua composição
entra substâncias microbióticas que se dissolvem no estômago dos animais
durante vários meses e impede que o metano seja arrotado ou punzado,
pois será reaproveitado pelo organismo das vacas para a produção de
glicose o que faz aumentar a produção de leite;
- eu estava deveras preocupado porque em diversas fontes de informações
deparei-me com a catastrófica afirmativa de que uma vaca qualquer, uma
única vaquinha poderia produzir até 500 litros de metano por dia. Putz!
Seria um terror total com esta monstruosa nuvem de gases produzida por
1,4 bilhão de bovinos em todo o mundo;
- assim, já tinha decidido boicotar o churrasco quando em boa hora
acessei uma informação acima de qualquer suspeita: pesquisadores da
Embrapa, profundamente entendidos no assunto, concluíram que um boi
libera cerca de 60 quilos de metano a cada ano, ou seja, quase 30
gramas/dia, só isso e nada mais. Ufa, que alívio. Atentem para a
diferença: 30 gramas ao invés de 500 litros por dia. É brutal. Então
resolvi, vou ao churrasco: QUE VENHA O TOURO, QUE VENHA A VACA EM FORMA
DE BIFE! a questão do desmatamento fica para o próximo evento.
Fontes de informações usadas neste post:
http://limberger.multiply.com/journal/item/95/O_PUM_do_BOI
http://radamesm.wordpress.com/2008/01/26/a-culpa-e-do-boi-que-solta-muito-pum/
http://aldeiagiramundo.blogspot.com/2006/12/pum-de-boi-de-novo.html
http://www.depijama.com/verdes/desculpe-no-fui-eu-foi-aquela-vaca-ali/
http://143.107.180.237/cluster/index.php/news_site/revista/temas/energia_e_meio_ambiente/flatulencia_bovina
http://www.jornalciencia.com/index.php?option=com_content&view=article&id=431:apenas-1-kg-de-carne-bovina-produz-mais-gases-de-efeito-estufa-do-que-dirigir&catid=130:diversos&Itemid=513
http://br.groups.yahoo.com/group/jaivida/message/435
http://www.informeipiau.com.br/2010/04/09/o-pum-do-boi-e-o-aquecimento-global/
http://jornaldebarao.blogspot.com/2009/09/pum-do-boi-e-responsavel-pelo-efeito.html |
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SHIT BURGUER - É SERVIDO?
23/junho/2011
engenheiro agrônomo Leonam Furtado
Pereira de Souza
Desculpem-me os
leitores mais sensíveis, mas não podia deixar de comentar esta produção
inusitada do cientista japonês Mitsuyuki Ikeda. Ele simplesmente
utilizou proteínas e lipídios retirados diretamente de excrementos para
fazer bife. É verdade. Leiam abaixo a matéria publicada na Revista
Galileu. Particularmente, considero tal obra de grande valia para
resolver um dos grandes problemas da humanidade: o tratamento dos
esgotos. Este tipo de reutilização, devido a sobrecarga nos ecossistemas
de produção de alimentos, pode ser viável e necessária para matar a fome
de milhões de pessoas em todo o mundo. Lembro que na Europa bebe-se água
que já foi reciclada muitas vezes.
“Para os que querem emagrecer ou para quem é vegetariano, carne de soja
pode não ser uma opção, devido ao gosto considerado ruim por muitos. O
cientista japonês Mitsuyuki Ikeda criou em laboratório uma terceira via:
a carne feita de excremento humano.
Difícil não se chocar com o conceito do Dr. Ikeda, mas ele não criou a
‘carne’ como um experimento. O cientista japonês quer que sua comida
seja comercializada regularmente, vire um produto disponível a todos.
Melhor explicar como a ‘carne de cocô’ é feita: Ikeda pega placas de
lodo do esgoto, que contêm muitas fezes humanas. Delas ele retira as
proteínas e os lipídios, que passam por um processo intenso de calor no
qual todas as bactérias vivas morrem. À mistura, é adicionado um
intensificador de reação. Para que o produto final tenha gosto de carne,
coloca-se proteína de soja e molho de carne (normal). O vídeo http://youtu.be/u1N6QfuIh0g
(em inglês) conta de forma bem resumida o processo todo.
Dr. Ikeda teve um motivo para desenvolver essa nova ‘carne’. Cientista
membro do Centro de Avaliação Ambiental da cidade japonesa de Okayama,
Mitsuyuki Ikeda quis inventar uma maneira de reciclar o uso de proteína
para que a necessidade da carne bovina seja diminuída – o metano solto
pelos animais em rebanho representa nada menos que 18% dos gases que
causam o efeito estufa.
Ao fim do processo, a comida de Ikeda é formada por 63% de proteínas,
25% carboidratos, 3% de lipídios e 9% de minerais. Custa de 10 a 20
vezes mais que a carne normal que compramos no açougue. Isso acontece
porque o alto custo da pesquisa está embutido no preço do produto, mas a
esperança de Ikeda é que ela passe a ser comercializada em larga escala
e garante que terá o preço igual ao da carne tradicional”. E você o que
acha disso?
(Fonte: http://revistagalileu.globo.com/Revista/Common/0,,EMI241874-17770,00-CARNE+FEITA+DE+FEZES+HUMANA.html) |
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CIÊNCIA DO SOLO - PRIMÓRDIOS
21/junho/2011
engenheiro agrônomo Leonam Furtado
Pereira de Souza
Revendo minhas anotações
técnicas encontrei uma descrição pedológica feita em 1734 pelo
naturalista Georges-Louis Leclerc Buffon, cientista francês famoso pela
sua “História natural geral e particular ...”, publicado entre 1783 e
1789, e que representou nessa época a soma dos conhecimentos sobre a
natureza. Na parte chamada “A história natural dos minerais” (Buffon,
1819, 2. Ed. vol. 5, pp. 409-412) ele faz observações pedológicas que
merecem ser relembradas... Então apresentamos aqui o texto original para
se fazer uma opinião:
“... É bom seguir de perto o caminho da natureza na produção e na
formação sucessiva dessa terra vegetal. Primeiramente, composta somente
de detrimentos animais e vegetais, ela não é ainda, depois de muitos
anos, mais que um pó escuro, seco, muito leve, sem coesão, que queima e
se inflama da mesma forma que uma turfa. Pode-se distinguir ainda nessa
terra vegetal as fibras constituídas de lignina e as partes sólidas dos
vegetais; mas com o tempo, e pela ação e intermédio do ar e da água,
essas partes áridas de tal terra adquirem plasticidade e se convertem em
terra limosa: eu me asseguro dessa transformação por minhas próprias
observações.
Eu procurei em 1734, por muitas tradagens, um terreno de cerca de
setenta “arpents” (unidade de área) de extensão, do qual eu queria
conhecer a espessura de terra boa (...) Eu reconheci claramente a
mudança sucessiva do terra vegetal em terra limosa. Esse terreno ficava
em uma planície acima de nossas mais altas colinas de Borgonha: ele
estava baldio na maior parte por um tempo imemorável, e como não havia
outras terras acima dele, a terra estava sem mistura aparente de greda
nem de argila; ela recobria em toda parte uma camada horizontal de pedra
calcária dura.
Sob a grama, ou melhor, sob o musgo velho que cobria a superfície desse
terreno, havia por toda a parte uma pequena camada de terra escura e
friável, formada do produto de folhas e de ervas podres de anos
precedentes; a terra da camada seguinte era apenas marrom e sem adesão;
mas as camadas abaixo dessas duas primeiras tomavam por graus de
consistência e uma cor amarelada, e assim tanto mais quanto eles se
afastavam da superfície do terreno. A camada mais baixa, que estava à
três pés ou à três pés e meio de profundidade, estava
laranja-avermelhada, rica, muito plástica, e grudava na língua como um
verdadeiro « bol » (terra calcaria e argilosa).
Eu observava nessa terra amarela vários grãos de mineral de ferro; eles
eram pretos e duros na camada inferior, e eram apenas marrons e ainda
friáveis nas camadas superiores dessa mesma terra. Então, é evidente que
os detrimentos dos animais e dos vegetais que primeiro se reduzem na
terra vegetal, formam, com o tempo e a ajuda do ar e da água, a terra
amarela e avermelhada, que é a verdadeira terra limosa que está em
questão... “
Alguns historiadores da ciência deram a Buffon o título de “criador da
pedologia” e (.......) é preciso reconhecer as notáveis qualidades de
observação pedológica de Buffon. Imagine que ele descreveu, de um jeito
muito preciso, a sucessão dos horizontes do solo, suas cores, a presença
de concreções e mesmo uma tipologia dessas concreções. Dessa descrição
podemos deduzir que o solo observado provavelmente apresentava
manifestações de hidromorfia. De outro lado, é claro que Buffon
considerava o solo como um objeto natural organizado.
(Fonte: Christian Feller e Edgar Fernando de Luca. IRD/CENA, Laboratório
de Biogeoquímica do Solo. Piracicaba - SP) |
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OS SERVIÇOS AMBIENTAIS DO PANTANAL
19/junho/2011
engenheiro agrônomo Leonam Furtado
Pereira de Souza
O Pantanal é uma
planície sedimentar inserida na Bacia do Alto Paraguai, com cerca de
250.000 km², sendo 160 mil km² em território brasileiro, nos estados de
Mato Grosso e Mato Grosso do Sul. É formado por um conjunto de vastos
rios, águas temporárias, pequenos lagos, florestas, campos – a maior
área úmida continental do planeta. Adjacentes a planície pantaneira,
estão os planaltos com altitudes superiores a 200 m, onde nascem os rios
desta região. É reconhecido internacionalmente como Patrimônio Natural
da Humanidade e Reserva da Biosfera e, felizmente, ainda encontra-se
relativamente conservado.
Segundo estudos desenvolvidos pela Embrapa Pantanal, os bens e serviços
ambientais oferecidos pelos ecossistemas pantaneiros custam, pelo menos,
112 bilhões de dólares por ano. Entretanto o Pantanal não é propriamente
um bioma ou ecossistema único, mas uma região de encontro, um elo de
ligação entre Cerrado, Chaco, Amazônia, Mata Atlântica e Bosque Seco.
Essa característica favorece a diversidade de espécies e a interação
entre fauna e flora. Nele existem pelo menos 3.500 espécies de plantas,
550 de aves, 124 de mamíferos, 80 de répteis, 60 de anfíbios e 260
espécies de peixes de água doce, sendo que algumas delas em risco de
extinção.
Desde a década de 1970 as intervenções humanas foram intensificadas
principalmente nos planaltos circundantes, ameaçando o funcionamento
hidro-ecológico e, conseqüentemente, as relações ecossistêmicas. A
ameaça mais crítica está relacionada à alteração da hidrodinâmica dos
rios, afetando a vazão e o período das enchentes e, conseqüentemente, os
ciclos de cheia e secas que interfere em todo o sistema. O aumento da
sedimentação em decorrência do desmatamento e erosão associados ao
inadequado uso da terra é um dos principais impactos negativos sobre os
rios pantaneiros.
Serviços ambientais são benefícios que a natureza viabiliza para a
sociedade e que resultam do bom funcionamento dos ecossistemas. Os
serviços ambientais oferecidos pelo Pantanal sustentam atividades
econômicas tradicionais como a pesca, o turismo e a pecuária. Dentre
esses bens e serviços podemos destacar:
- as pastagens nativas que sustentam a pecuária de corte, principal
atividade econômica da região;
- os peixes que sustentam a pesca profissional e esportiva,
representando a segunda atividade econômica pantaneira.
- a apicultura baseada nas plantas apícolas nativas e que tem
possibilidade para produção de mel de alta qualidade e passível de
exportação;
- os animais da fauna nativa, como jacarés e capivaras com
potencialidades para criação em cativeiro visando a produção de carne,
couro e outros derivados;
- o turismo ecológico que pode ser considerado um bem de valor econômico
indireto, juntamente com a fauna e flora altamente diversificadas;
- as espécies vegetais como a Oriza glumaepatula, o arroz selvagem do
Pantanal que é um exemplo de bem econômico com potencial para
proporcionar melhoramento genético visando o aumento de produção,
qualidade do grão e resistência a doenças;
- as plantas de valor medicinal que a população local vem utilizando com
base no conhecimento tradicional e além de plantas com reconhecido valor
de mercado, como o ginseng do Pantanal e o nó-de-cachorro;
- a imensa reserva de água doce que é acumulada no período da cheia e
liberada gradualmente no restante do ano, propiciando a navegabilidade
ao longo do rio Paraguai e evitando inundações severas na Argentina e no
Paraguai, um serviço ambiental de difícil avaliação, mas de fácil
percepção;
- o acúmulo de água que permite o desenvolvimento da flora e fauna
aquáticas, bem como a regulação dos ambientes terrestres, através do
lençol freático;
- as altas temperaturas e a abundância de água propiciam o
desenvolvimento de plantas terrestres e aquáticas que constituem um
volume extraordinário de biomassa, com grande potencial de
aproveitamento pelos herbívoros;
- o refúgio de espécies ameaçadas como a arara azul, a ariranha, o cervo
e a onça pintada, um serviço ambiental possibilitado pelo estado de
conservação do Pantanal em contraste com as regiões vizinhas;
- a área de invernada e de descanso de aves migratórias, um benefício
que pode ser contabilizado em escala planetária, pois existem espécies
que realizam migração regional, continental e entre os hemisférios norte
e sul;
- os outros serviços como o valor estético das paisagens pantaneiras
consideradas como atrativos turísticos.
O transporte fluvial feito através dos rios formadores do Pantanal
também pode ser considerado um serviço ambiental importante que hoje
encontra-se comprometido pelo assoreamento. Nesta situação está o rio
Taquari, o mais importante afluente do rio Paraguai. Em 2008, através da
AHIPAR-Administração da Hidrovia do Paraguai foi apresentado um conjunto
de proposições com o objetivo de viabilizar a gradativa recuperação da
navegabilidade do rio Taquari, com base na identificação e solução dos
problemas hoje existentes no baixo curso deste rio que é de vital
importância para a região pantaneira. Infelizmente, até o momento nada
foi feito.
(Artigo publicado na coluna AMBIENTE EM TRANSE do Jornal da Cidade
Online - http://www.jornaldacidadeonline.com.br/leitura_artigo.aspx?art=3444) |
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UMA SAÍDA ENTRE O VERDE E O PROGRESSO
28/maio/1991
engenheiro agrônomo Leonam Furtado
Pereira de Souza
Durante muito tempo, ecologia e
progresso foram tratados como temas incompatíveis. Porém, nas últimas
décadas, muitas pessoas e inúmeras organizações, no mundo todo, procuram
encontrar o caminho da harmonia, buscando estratégias que interliguem a
preservação da natureza com o desenvolvimento. A partir da constatação que
são os países do primeiro mundo os grandes responsáveis pela poluição
ambiental e pela utilização exagerada dos recursos da terra, acentuou-se a
preocupação mundial em preservar as áreas verdes do planeta. Considere-se,
também, que o crescimento populacional incontrolável e a pobreza do
terceiro mundo funcionam como agentes destrutivos da base ecológica da
sociedade terrena. No caso do Brasil, a situação, muitas vezes, é
paradoxal, pois os bolsões de miséria e subdesenvolvimento localizam-se em
áreas abundantes de recursos mal explorados.Todos nós sabemos que os
países hoje desenvolvidos progrediram com a destruição de suas florestas.
Não podemos incorrer no mesmo erro e não devemos permitir que nossos bens
naturais sejam explorados sem levar em consideração medidas que conservem
o meio ambiente, em níveis compatíveis com uma vida humana saudável.
Gerando degradação ambiental, a exploração de recursos naturais amazônicos
quase nada agrega à economia local, favorecendo, em contra partida, a
poluição das águas, a degradação dos solos e as contaminações que levam ao
sofrimento e à morte.
Nesta exploração algumas pessoas alcançam sólido progresso econômico mas,
a maioria, apenas sobrevive. Neste contexto, aparecem aqueles que defendem
a intangibilidade da Amazônia, alegando, dentre outros argumentos, que
nesta região está concentrada a maior biodiversidade do planeta, e que tal
tesouro deve ser preservado para servir à melhoria de vida das gerações
futuras. Assim, os chamados bancos genéticos seriam uma tentativa de
assegurar para a espécie humana a utilização de elementos da biota ainda
não estudados. Porém, até hoje, ninguém agiu concretamente para permitir
que este magnífico acervo de germoplasma amazônico, de valor incalculável,
se converta de fato na contribuição econômica para o desenvolvimento
regional, pretendido já. Tecnologias que podem viabilizar a utilização
deste enorme potencial são patrimônio dos países desenvolvidos. É
necessário que tenhamos acesso a estes avanços, a custos não exorbitantes,
para que possamos usufruir dos privilégios de sermos os donos desses
recursos. No plano das decisões políticas é preciso acabar com a
pseudoprioridade dada aos problemas ecológicos, fato que realmente
prejudica a Amazônia, pois, não se resolvendo problema algum, a inércia
toma conta de tudo deixando a região entorpecida, vegetando em seu
esplêndido e verde santuário, situação que é do agrado de muita
gente.
Não pode existir dúvida que o complexo ecossistema amazônico exige
soluções muito específicas para a sua utilização. Apesar da volumosa
produtividade biológica, em conseqüência da abundância de radiação solar e
da disponibilidade hídrica, a região representa um verdadeiro desafio
agrícola. Muitos sistemas de produção para culturas nativas e adaptadas já
foram testados pelas instituições locais de pesquisas, mas a aplicação
desta tecnologia, em larga escala, esbarra na falta de um planejamento
competente, na indisponibilidade de recursos financeiros e na ausência de
uma firme vontade política para implantar programas de desenvolvimento
baseados na atividade agrícola, agroindustrial e florestal. Israelenses e
americanos produzem alimentos nas areias escaldantes dos desertos. Na
Amazônia, temos vastas extensões de de solos férteis nas várzeas, e as
terras firmes, livres das inundações, apresentam solos úmidos e com
excelentes características físicas para cultivo agrícola, mas ainda não
aprendemos bem utilizar tais recursos.
É um erro, por exemplo,
permitir que as poucas áreas de terra roxa amazônica sejam subutilizadas,
como aquelas de Altamira-PA, com plantação de cana-de-açúcar, ou do Jari-PA, ocupadas com plantações de gmelina para produzir celulose. Estes
solos deveriam sustentar culturas mais rentáveis, como a do cacau, ou
destinados à produção direta de alimentos. A discussão que se verifica em
torno da degradação ambiental de nosso planeta mobiliza as potências do
primeiro mundo no sentido de sustar ou minimizar o processo degenerativo,
através de medidas que interfiram positivamente na sustentação dos
ecossistemas e na qualidade de vida das populações atingidas. Dentre os
esforços, aparecem as propostas que objetivam a conversão de nossa dívida
externa em investimentos na preservação do meio ambiente. Tais propostas
dividem as opiniões, pois os critério nem sempre ficam claros ou
descobrem-se interesse conflitantes. Já foram aplicadas em alguns países
do terceiro mundo, beneficiando áreas problemas bem menores que as nossas,
e estão sendo defendidas nos fóruns internacionais como a solução para o
caso brasileiro. Apesar de apresentarem muitos pontos questionáveis, creio
que não devemos pura e simplesmente descartar estas
proposições.
É preciso, antes de tudo, estabelecer um elevado nível de diálogo para que
consigamos demonstrar a necessidade de investimentos diretamente
proporcionais a importância ecológica de uma região continental como
a Amazônia. No encaminhamento desta questão é necessário dar ouvidos à
competência e descartar todas as soluções oníricas e falaciosas.Não tenho
dúvidas que sempre aparecerão proposições sem a mínima vinculação com a
verdade da região amazônica. Portanto, é necessário que fiquemos atentos e
que a nossa sociedade se mobilize para apresentar projetos e soluções que
estejam coerentes com a realidade e os anseios da região, lembrando que a
Amazônia pode e deve utilizar, de modo equilibrado, o seu imenso
potencial de recursos naturais como a base de um desenvolvimento que
consolide a melhor qualidade de vida de sua gente e um meio ambiente
saudável.
Publicado no Jornal de Brasília, em
28/maio/1991 |
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QUEM DEFENDE A CAUSA ECOLÓGICA
engenheiro agrônomo Leonam Furtado
Pereira de Souza
Em nossos dias, existem pessoas que preocupadas com o
futuro de plantas e animais, não medem sacrifícios na tentativa de
defendê-los da extinção que chega célere. Ato louvável e de justeza
inquestionável, se no rol destas preocupações estivesse incluída aquela
espécie que é, com certeza, a mais ameaçada de todas. Refiro-me ao homem,
um animal complexo, o mais evoluído, único dotado de inteligência
desenvolvida, e que a cada dia se encontra mais abandonado, carente de
cuidados e de proteção.O homo sapiens, assim como as demais
espécies, empenham-se para vencer os obstáculos que estão colocados à sua
frente. É uma luta constante, dura e muitas vezes inglória. Foi assim
desde os tempos das cavernas, e assim sempre será. A grande diferença é
que o homem "...está vinculado ou agrilhoado à natureza. Com o correr da
evolução, ele transforma a sua relação com o meio, por conseguinte,
consigo mesmo" (Fromm, 1970).
Mas, apesar
de possuir inteligência privilegiada, o homem sempre enfrentou esses
obstáculos com certa irracionalidade, dificultando com isso a sua própria
existência. Hoje, o processo de produção material em nossa sociedade está
cada vez menos relacionado às necessidades de sobrevivência humana. A
obtenção de grandes lucros situa-se sempre acima de qualquer outro
objetivo. Nesta procura insensata de ganhos cada vez maiores, o meio
ambiente é espoliado, agredido, sugado sem dó. E, o que é pior, o homem
explora a si mesmo, demente e cego, em busca de uma valorização crescente
do capital. Deste modo, começam a surgir todos os problemas ecológicos e
sociais que atualmente vivenciamos, pois a natureza se contrapõe
frontalmente a esta saga idiota, e reage com eqüidade às violências que
lhes são impingidas. E nesta barganha recebemos alimentos intoxicados, ar
e água poluídos, frio e calor extemporâneos, solos degradados e as mazelas
marcas registradas dos povos civilizados como o câncer e a aids. Tudo isto
para que algum dia possamos entender um raciocínio lógico: lucros sim,
excessos não!
O Brasil tem um
dos território mais produtivos do mundo em termos ecológicos, em
conseqüência, principalmente, da abundância de irradiação solar. Na
Amazônia, onde a fartura de água complementa essa condição essencial para
uma intensa produção biológica, verificamos que grandes erros foram e
continuam sendo perpetrados em nome de uma política de desenvolvimento mal
calculada. Provas? Aí estão milhares e milhares de hectares de pastagens
concluindo o processo de degradação dos solos amazônicos, já naturalmente
pobres; aí estão as capoeiras dominando extensas áreas onde num passado
recente havia uma riqueza ímpar em madeiras de lei; aí está o projeto
Jari, colhendo sua produção florestal, em números muito abaixo daqueles
esperados, justamente por adotar tecnologias exóticas, de maneira
extensiva, sem antes tentar compreender a complexa realidade da
região.
Nas regiões
brasileiras de terras férteis, também se constata a ação inescrupulosa e
negligente do homem. Devido ao manejo inadequado em áreas intensamente
cultivadas, a erosão representa, hoje, um problema de proporções
alarmantes. Em São Paulo, as perdas anuais de solo chegam a 194 milhões de
toneladas. No Paraná, a 144 toneladas por hectare, por ano. O Instituto
Agronômico de Campinas-SP calcula que a perda média de solos em todo o
Brasil seja de 25 toneladas por hectere, por ano, ou seja, um bilhão de
toneladas de nossos solos se perdem anualmente. Será que é preciso entrar
em detalhes sobre a poluição de Cubatão-SP, a desertificação de
Alegrete-RS, a contaminação de alimentos por inseticidas e fungicidas, o
problema das usinas nucleares em Angra dos Reis-RJ, o uso de desfolhantes
químicos nas linhas de transmissão da Eletronorte-PA, o transporte de
pó-da-china sem cuidados especiais, entre tantos outros exemplos, para que
possamos perceber que estamos prejudicando a nós mesmos?
É preciso
urgentemente implementar uma consciência ecológica. É necessário
discernir, o mais rápido possível, de que maneira haveremos de explorar
nossos recursos naturais sem destruir o ambiente. Neste ponto, é
importante que se conheça a definição da União Internacional para a
Conservação da Natureza, que diz: "conservar é manejar os recursos do
ambiente com o propósito de obter a mais alta qualidade sustentável de
vida humana". De nada valeria travar batalhas em prol da sobrevivência
desta ou daquela espécie, se isso não resultasse em benefício do homem.
Portanto, torna-se imprescindível proclamar, em alto e bom som, que a
prioridade é o homem. E esta prioridade é aqui e agora! Para isso devemos
evitar o terreno das radicalizações e as más interpretações. Neste
aspecto, nunca deverão ser confundidas atitudes preservadoras com as
atitudes conservadoras. São ações distintas para casos distintos. Isto
viria evitar o surgimento de idéias absurdas como aquela defendendo a
intangibilidade da Amazônia. Nessa região, segundo alguns cientistas, não
se deveria mexer em nada, pois seus solos não prestam para coisa nenhuma.
Mentira. Também houve aquela premissa fantasiosa, divulgada amplamente por
todo o planeta, de que a Amazônia seria o grande e verde pulmão do mundo.
Não é bem assim!
É verdade que para
sobreviver, a humanidade terá que lançar mão de suas florestas e de todos
os outro recursos disponíveis, porém, esse uso jamais deverá ser sinônimo
de destruição. Lembremo-nos que "nós não herdamos a terra de nosso pais;
nós a tomamos de empréstimo aos nossos filhos" (Lester R. Brown). Então,
fica evidente qual o caminho a seguir: utilizar sem destruir, usufruir
conservando. Isto sim, deve servir como base de uma consciência ecológica.
Em nome do futuro, o Brasil precisa iniciar uma ação efetiva de
conscientização ecológica de seu povo, fomentando uma ampla participação
de todas as camadas da sociedade nos assuntos relacionados ao meio
ambiente, não esquecendo seus dirigentes que, além disso, têm perante os
seus eleitores o devver de tentar equacionar os problemas inerentes ao
nosso agitado dia-a-dia, tais como: reforma agrária, déficit habitacional,
desemprego, saúde e tantos outros. Neste tempo de mudanças e eleições,
onde os partidos políticos estão a se multiplicar psicodelicamente, quem
poderá realmente lutar pela causa ecológica, econômica e social
brasileira? Verdes, amarelos, azuis ou vermelhos?
Artigo publicado na revista Agenda, em
julho de 1986 |
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